Há notícias, num documento de 1222, da existência desta freguesia que tinha por senhorio a Casa de Marialva. Também é referida no foral manuealino do Aveloso, de 21 de Abril de 1514, cuja municipalidade integrava então. As Inquirições de D. Dinis, de 1290, citam nesta freguesia a Quinta da Pousada. Em 1222 foi esta localidade doada à Sé Lamecense por Gomes Eanes, clérigo desta freguesia, segundo o documento do arquivo capitular lamecense dessa data.
O termo “pousada” corresponde a um apelativo de uso corrente no século XI, com o sentido de estalagem, pelo facto de o local ficar ao lado do mais frequentado caminho velho entre Vale Flor e Marialva. Esta e outras “quintas” são correspondentes, talvez na globalidade, a propriedades ou quintãs medievais (séculos XII – XIV), particularmente a de Pousada que, nos fins do século XIII, constituía a única honra que havia no Julgado de Marialva.
Desde a época da romanização, há-de considerar-se a quase contiguidade da “Civitas Aravorum” (cidade romana) documentada com inúmeros vestígios e epigrafias locais. Todo o encadeamento do vale que une as localidades, apesar da variabilidade nominativa ao longo do curso de água (de Ladrões, da Lameirinha, de Marialva) é o mesmo. A ligação viária pela Quinta da Pombeira, Quinta do Convento ou Quinta da Abadia, e os cabeços intermédios constituiriam, por certo, a rede de defensão castreja remota de povos antecessores dessa “civitas” que permitem pensar-se na existência de população pré-romana.
Os dois altos e extensos cumes conhecidos pelas Mós encerram cariz assás arqueológico, quer na acepção de “mós” de farinação, pré ou proto-histórica, quer na expressão megalítica (moles). O cume da Amedelinha é outro topónimo antiquíssimo que se julga relacionado com a topografia do terreno. Amedella é já de si considerado um diminutivo e Amedelinha uma duplicação idiomática (tal como Munda>Mondecus>Mondeguinho). Se, menos provável (porquanto a nominação era transposta dos pontos altos) for relativo a vegetação, ele poderia relacionar-se com um pequeno amial nas nascentes do ribeiro do Vale de Ladrões – circunstância e base não muito críveis. Mas como elevação (cume de Mós – a denominada Amedelinha, ainda no século XIX) e seus Moínhos de Vento (molendinum e molinum saxum), dão-lhe algum toque de justeza (almolendinha>Molendinha>moendinha) ou terá sido um locus afastado, aqui reforçado pela etimologia de amendo>amendela, exílio, afastamento, ou ainda um povoado derivado de outro topónimo antigo, no diminutivo, que seria o caso do antigo Ameda, hoje Meda, a actual Vila que se configura num peniplano, v. g. Al Maida (a mesa).
O monte da Amedelinha, nos alvores da Nacionalidade, deve considerar-se aplicado a um locus habitado e afastado, e poderá provir, pois, da primeva Ameda (>Amedella, como povoação mais incipiente, do mesmo nome).
Esta antiquíssima freguesia de S. Pedro de Vale de Ladrões (hoje, Valflor), quando no termo de Marialva, foi vigararia do provimento do bispo lamecense e ascendera posteriormente a reitoria. Comprovando a antiguidade paroquial está a capela mór, românica, da sua Igreja Matriz, de elevado valor artístico, ostentando ainda outros altares, laterais, de não menor interesse. Na freguesia há ainda as capelas de Santo António, na praça central da localidade; a do Divino Espírito Santo, junto ao cemitério; a de Nossa Senhora da Saúde, com romaria na segunda-feira de Páscoa, uma jóia de estilo rocócó construída em 1818 e a de Santa Bárbara, nas dominâncias para norte, entre as antigas “canadinhas” para Meda e Outeiro de Gatos. A paróquia de Vale Flor considera-se que foi uma das primeiras paróquias iniciais desta estremadura, tangencial da maura adaga a sul do Douro, e compreendia então todo o vasto território que é hoje o de três freguesias (Vale Flor, Carvalhal e Pai Penela). No interior da Igreja Matriz podemos apreciar paramentos e algumas alfaias religiosas provindos do antigo e exinto Convento Franciscano de Vilares, entre Valflor e Marialva.
Quanto ao florescimento do lugar o índice do desenvolvimento populacional acusado pelo Cadastro de 1527 assinala como notável a densidade demográfica, relativamente aos termos de Marialva, e teria então 171 fogos, número que ultrapassa Marialva, intra e extra-muros, que não perfazia então os 150 fogos. Este lugar, na Idade Média, atingira um elevado grau de desenvolvimento, mas, no decurso dos séculos XVI e XVII, a sua população decaíra a tal ponto que nos princípios do século XVIII, se restringia já a pouco mais de metade da registada dois séculos antes. Hoje, atenta a sua indivualização e com outros sinais dos tempos, a freguesia não tem muito mais do que a que lhe correspondia há quatro séculos
Aqui se realiza uma feira anual em 13 de Junho, dia de Santo António, e um mercado mensal na primeira quinta-feira de cada mês. Têm sido explorados minérios no solo do seu território. A região é essencialmente vinícola e oleícola, dispondo de algumas destilarias.
Um dos filhos ilustres desta localidade foi o Almirante Armando de Roboredo, da Família dos Roboredos, com casa na freguesia, valflorense ilustre que, no terceiro quartel do século XX, exerceu as altas funções de Chefe do Estado Maior da Armada Portuguesa.
Nos dias de hoje Vale Flor é uma localidade atraente, com o seu casario distribuído por espaços harmoniosos, e bem servida, por outro lado, dos requisitos necessários para proporcionar aos seus habitantes uma apetecida qualidade de vida.
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